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A Rio Tinto anunciou em 23 de outubro que investirá US$ 1,9 mil milhões para desenvolver o projeto de bauxite Kangwinan, na península ocidental de Cape York, em Queensland. A empresa descreve o investimento como uma expansão brownfield ligada às operações de Weipa. Trata-se de um compromisso empresarial para desenvolver um projeto, não de produção já alcançada: a primeira produção está prevista para 2029 e a produção plena para 2032.

A empresa afirma que o projeto acrescentará capacidade de 20 milhões de toneladas por ano e elevará a capacidade anual das operações de Weipa para cerca de 44 milhões de toneladas, face à produção atual de aproximadamente 38 milhões. Estes valores descrevem capacidade e contexto operacional, não uma previsão garantida de produção anual. Kangwinan deverá substituir a produção da mina de Andoom quando esta se aproximar do fim da vida útil nesta década e ajudar a compensar o fim planeado da produção na mina de Gove, no Território do Norte, em 2029.

O novo centro de produção proposto ficará cerca de 15 quilómetros a sudeste da mina de Amrun. A descrição do projeto indica que um transportador de 15 quilómetros levará o minério para instalações de armazenamento ampliadas e para o cais existente de Amrun. O cais também deverá ser ampliado para receber navios Capesize maiores. A Rio Tinto afirma que esta configuração pretende melhorar a eficiência da cadeia de abastecimento e reduzir custos de frete; o anúncio não quantifica poupanças de transporte nem custos unitários previstos. Por isso, continuam a ser objetivos, e não benefícios medidos.

A Rio Tinto prevê que a construção ganhe ritmo em 2027 e apoie mais de 1.300 empregos de construção. O número refere-se à mão de obra esperada durante as obras, e não a 1.300 postos permanentes. A empresa diz também que o projeto poderá ajudar a sustentar, a longo prazo, a sua força de trabalho residencial de cerca de 1.500 pessoas na região de Western Cape. Não foram divulgados um cronograma por pacote de construção, a parcela de compras regionais ou a duração do pico de contratação. Esses dados serão importantes para avaliar quanto do número anunciado se traduz em trabalho local e duradouro.

O contexto comunitário e ambiental é central para o desenvolvimento. A Rio Tinto afirma que o nome Kangwinan foi solicitado pelos Proprietários Tradicionais Wik Waya e que a mina operará nas terras tradicionais dos povos Wik e Wik Waya, Alngith, Peppan e Wathayn. A empresa diz ter consultado os Proprietários Tradicionais durante os estudos de pré-viabilidade e viabilidade e que continuará o diálogo durante a construção. Afirma ainda que a proposta não afeta áreas protegidas e que foram preparados planos de gestão para proteger valores de conservação. Estas são declarações do proponente; o anúncio não reproduz a avaliação ambiental subjacente nem acordos comunitários. Refere que as licenças ambientais foram obtidas através da declaração de impacto ambiental South of Embley, aprovada pelos governos estadual e da Commonwealth.

O projeto integra a estratégia de longo prazo da Rio Tinto para os seus ativos de bauxite em Cape York. A empresa diz que acordou em setembro adquirir o projeto vizinho de bauxite Aurukun à Glencore e à Mitsubishi, sujeito a aprovações governamentais. Espera que as operações combinadas de Amrun, Kangwinan e Aurukun sustentem as operações de Weipa para além de meados deste século, mas isso depende da conclusão da aquisição e do desenvolvimento futuro. A carteira regional de projetos de Queensland também classifica Kangwinan como planeado, em linha com um projeto futuro e não com produção atual.

Para os clientes e a cadeia de valor do alumínio, a importância imediata é a continuidade de uma grande base de abastecimento de bauxite e da infraestrutura de exportação associada. O investimento não estabelece, por si só, produção de alumina ou alumínio nem garante que toda a capacidade adicional seja produzida ou vendida. Os próximos pontos de verificação serão a mobilização da construção, as aprovações e o cumprimento da data anunciada para a primeira produção. A Rio Tinto diz que a estimativa de US$ 1,9 mil milhões inclui US$ 150 milhões de trabalhos iniciais aprovados em 2025 e prevê uma taxa interna de retorno próxima de 22%, com base em previsões de mercado de terceiros disponíveis no quarto trimestre de 2026. Esse retorno é uma estimativa empresarial baseada em pressupostos, não um resultado observado.